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Mostrando postagens de junho, 2021

Não há na política nenhuma ação que seja ideologicamente neutra

  Chamou a atenção de todos os que acompanham a cena política, uma declaração no Twiter, feita pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro afirmando que “ A questão ideológica é tão, ou mais grave, que a corrupção no Brasil. São dois males a ser combatido” . Bolsonaro não é o único integrante do governo que se instala no Brasil a dizer que é preciso um governo sem ideologia. Seus assessores mais próximos, repetem isso a todo tempo. Assim, sem ter a pretensão de esgotar o assunto, precisamos compreender e debater o é que é ideologia, e se é possível haver governos sem influência ideológica. Primeiro é preciso compreender que a política como campo de estudo, não pode ser descrito apenas como uma realidade voltada para a luta pelo poder. Há na atividade política, outros princípios e valores que determinam e guiam esta atividade. Quando estes valores e princípios são compartilhados por indivíduos, grupos e voltados para ações práticas na sociedade, são chamados de ideologia política. Há...

Precisamos voltar a ler Darcy Ribeiro

  Em tempos em que o Presidente brasileiro viaja para os Estados Unidos para entregar nosso patrimônio e nossa soberania nacional e que de forma subserviente entrega as chaves da Base Militar de Alcântara, para que Trump controle de porteira fechada, um autor brasileiro passa a ser leitura obrigatória: Darcy Ribeiro. Ele nos ajuda não somente compreender a formação do povo brasileiro, como também o comportamento da elite política e econômica da América Latina. Nascido em Montes Claros (MG), em 26 de outubro de 1922, filho de professora primária, teve a educação presente em sua vida desde cedo. Durante sua existência foi antropólogo, educador e romancista. Como político, foi ministro-chefe da Casa Civil de João Goulart, vice-governador do Rio de Janeiro de 1983 a 1987 e exerceu o mandato de senador pelo mesmo Estado. Faleceu em Brasília (DF), em 17 de fevereiro de 1997. Darcy Ribeiro integra o grupo de intelectuais brasileiros dos anos 1950, que assumiu como missão e compromisso...

Gilberto Freyre e a civilização da sífilis

Na última segunda feira a jornalista Danúbia de Souza, publicou em seu blog aqui no jornal O Município que os casos de sífilis em Blumenau subiram 200% nos últimos quatro anos. As informações trazidas pela jornalista tem por base dados da Secretaria Municipal de Saúde. Só neste ano, até o mês de setembro, já são 475 casos registrados.   Segundo informações do Ministério da Saúde, a sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) curável e exclusiva dos seres humanos. É causada por uma bactéria é pode ser transmitida pela ausência do uso de preservativos durante a relação sexual ou é transmitida para o bebê durante a gestação ou parto. A notícia faz lembrar a famosa obra Casa-Grande e Senzala de Gilberto Freyre. A obra do foi lançada em 1933 e retrata o processo de mestiçagem na sociedade brasileira. Apontada como fundadora do mito da democracia racial no país, é criticada por ter suavizado a escravidão. O que tem um fundo de verdade. Porém é preciso perceber que Fr...

O Anarquista apaixonado

  Sempre fui muito tímido. Na época de escola tinha poucos amigos. No ensino médio eu tinha um, Messias Mohammed.  Tinha esse nome porque era filho de mãe católica e pai muçulmano. Dizia que o avô materno só daria benção ao casamento se o genro prometesse que o nome do primeiro filho do casal fosse Messias. É que o velho tinha ouvido falar que na tradição árabe os meninos tinham que carregar o nome do profeta. Falava pouco, quase monossilábico, era um indivíduo muito inteligente. Mohammed era roqueiro, mas não sei identificar de qual tribo. Andava sempre com o mesmo uniforme. Uma calça preta bem justa, camiseta surrada da mesma cor e um coturno, destes do exército, sempre com o aspecto de empoeirado com a biqueira descascada. Tinha os cabelos crescidos até ao meio das costas. Sempre bem penteado e amarrado em uma cola de cavalo.  A escola tinha aquelas carteiras universitárias, que a mesa e a cadeira são uma peça só, e que a mesa se retrai.  Sentávamos lado a lado. T...