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Empirismo não científico

  Sentado no canto da sala dos professores da escola onde vendo minha força de trabalho, percebi o número acentuado de pedagogas e professoras de ensino fundamental reclamarem dos efeitos colaterais da vacina da COVID-19. Todas reclamavam de dor no braço. Algumas relatavam calafrios e temperaturas alteradas que lembram febres.  Outras de tão prejudicadas se faziam ausentes, mas participavam da tagarelice e lamurias por áudio de WhatsApp . Havia também relato de espasmos, gemidos e delírios noturnos.    Eureca, é isso! No fim, o vírus e a vacinação em massa é isso. Um plano globalista, esferoterrista, comunista, marxista, ateísta, gaysista, cientificistasta, veganista, positivista, flamenguista, taxista para eliminação das pedagogas...... Baixei os olhos e voltei a ler O Alienista de Machado de Assis.....  

Deixa eu falar do meu amigo....

  Quem me conhece sabe que nasci em uma família pentecostal. Essa fé, moldou meu espírito e minha forma de ver o mundo e influenciou minha carreira profissional. Nos últimos anos tenho tentado compreender sociologicamente o pentecostalismos e suas ramificações políticas e sociais. Mas não quero falar de sociologia. Na minha trajetória pessoal tem uma figura que é essencial, Pr. Claiton Pommerening . Com uma sólida formação intelectual, é teólogo, com mestrado e doutorado. Autor de livros e artigos científico, possui uma longa trajetória de trabalhos prestados ao cristianismo. É professor e diretor de uma das mais importantes instituições de teologia pentecostal no Brasil. No círculo das Assembleias de Deus no Brasil foi pioneiro de uma série de iniciativas sociais e educacionais. Possui uma personalidade simples e até retraída, o que faz com que não fique propagandeando suas realizações. Meu amigo agora está sendo vítima de uma perseguição inquisitória. Seu Crime? Alegam que el...

No bairro em que eu moro os muros não são cinzas

  Quem me conhece sabe que eu cresci no Boa Vista. Encravado na área central da cidade de Blumenau em Santa Catarina, o bairro sempre carregou em espirito popular, quase boêmio.  Quando minha família mudou-se para o bairro no final do ano de 1987, na época era conhecido como Morro da Banana. Ali, estudei em uma pequena escola que leva o nome do primeiro professor que chegou na Colônia de Blumenau. Escolas deveriam sempre ser nominadas com nomes de professores e cientistas, nunca com nomes de ditadores.   O tamanho da escola e o reduzido número de estudantes nunca impediu de ter uma organização pedagógica interessante. No final da década de 1980 tínhamos, clube de ciências, matemática e um jornalzinho interno.  Hoje é a primeira escola pública da cidade a ser de ensino bilíngue. Foi na Fernando Ostermann que decidir ser professor, decidir me dedicar a docência por conta de um professor de história.  Morei quinze anos fora do Boa Vista e, p...

Dia Mundial do Livro

  Ler é minha paixão mais antiga. Fui viciado nesse negócio pelo meu irmão mais velho. Quando voltava do trabalho o José Santos não trazia balas ou chocolate, carregava livros e revistas. Eu, o irmão caçula devorava todos. Depois, recortando jornal e revistas velhas, eu fazia meu livros e jornais. Mais tarde na faculdade de jornalismo fui descobrir que aquilo que era minha brincadeira de criança eles chamavam de fanzine.   Dos livros religiosos, pulei para literatura, jornalismo e mais tarde descobri as ciências sociais. Quando eu tinha uns 15 anos o Marcos Antônio da Silva me apresentou os sebos. Durante nossa trajetória de leitor, é claro que os interesses mudam. Os temas e autores são selecionados com mais refino, porém, eu sempre sofro quando tenho que me desfazer de um livro.  Garimpar livros e degusta-los com paciência é um dos prazeres que me permito sem pudor. Em um país que não cobra impostos de grandes fortunas, mas taxa a produção e venda de livros, ler é um at...

A livraria

  O Martin Kreuz decidiu realizar o sonho de todo leitor inveterado, montar um sebo. Rociante, primeiro foi lançado virtualmente e desde o nascimento vem dedicando-se a compartilhar entrevistas com autores e pesquisadores que gravitam em torno do Vale.   A iniciativa que agora vai ganhar um espaço físico, quer ser um espaço de livros e ideias.   O proprietário também promete uma garrafa térmica com café preto.   Ficará na Rua   Arnoldo Ruediger, 159 - Água Verde, aquela rua ao lado da Resima Malhas. Em tempos de confinamento, o nascimento de uma livraria é uma iniciativa que deve ser festejada, sobretudo se estiver localizada por essas bandas. Isto porque a Europa Brasileira vem tornando-se uma terra árida de iniciativas assim. É bem verdade que fechamento de livrarias é um fenômeno frequente no mundo inteiro. Quando eu soube da iniciativa lembrei de Eric Nepomuceno. O escritor, jornalista e tradutor de autores como Gabriel Garcia Marques e Eduardo Galeano, ...

O verdadeiro Stammtisch

  Blumenau é conhecida por sua capacidade de organização de atividades de turismo e lazer. São inúmeras Oktoberfest e seus desfiles, Festa Itália, Stammtisch , Festival de Botecos,   Sommerfest ,   Desfile de natal, etc. Todas festas populares e que se vendem como produtos democráticos. Nossa capacidade de organização encanta os turistas e participantes dos eventos e é sem dúvida o cartão de visitas de nossa cidade. Não há lugar no país que você vai e identifica-se como blumenauense que não encontre alguém que não cite um evento acima de forma positiva. Porém, ontem assistimos em Blumenau uma festa realmente popular. Uma multidão tomou a Avenida Beira Rio para receber 2019. Segundo a polícia militar, foram cerca de 60 mil pessoas que assistiram a queima de 12 toneladas de fogos. Um   espetáculo que durou 15 minutos de show pirotécnico. Antes e depois da virada, o público pode acompanhar um show de música popular com um repertório variado. A multidão alegre ocupa...

O Labes

  Marcelo Labes é escritor e editor catarinense nascido em Blumenau. Tem 35 anos e reside em Florianópolis desde 2017. Possui uma vigorosa produção. Entre seus textos publicados há livros de poemas, conto e romance. Já possui seis livros e três plaquetes publicados. Conheci Marcelo pessoalmente no ano de 2016, eu professor da disciplina de sociologia contemporânea no curso de Ciências Sociais da FURB, e ele estudante.   Eu já tinha lido seus livros e textos. Conhecia seu talento. Chamava a atenção seu interesse e astúcia por apreender. Sentava na primeira carteira, logo após a mesa do professor, no lado direito. Dali, soltava questionamentos e inquirições sobre as teorias que estudávamos. No ano seguinte, fui abordado por ele em um dos corredores da universidade. Queria que eu orientasse seu trabalho de conclusão de curso. Surpreso, aceitei o honrado convite. Sou um jovem professor, seria natural que um talentoso estudante, já com livros publicados, procurasse um professor m...