Ler é minha paixão mais antiga.
Fui viciado nesse negócio pelo meu irmão mais velho. Quando voltava do trabalho
o José Santos não trazia balas ou chocolate, carregava livros e revistas. Eu, o irmão
caçula devorava todos. Depois, recortando jornal e revistas velhas, eu fazia
meu livros e jornais. Mais tarde na faculdade de jornalismo fui descobrir que
aquilo que era minha brincadeira de criança eles chamavam de fanzine. Dos livros
religiosos, pulei para literatura, jornalismo e mais tarde descobri as ciências
sociais. Quando eu tinha uns 15 anos o Marcos Antônio da Silva me apresentou os
sebos. Durante nossa trajetória de leitor, é claro que os interesses mudam. Os temas e
autores são selecionados com mais refino, porém, eu sempre sofro quando tenho que me desfazer de um livro. Garimpar livros e
degusta-los com paciência é um dos prazeres que me permito sem pudor. Em um
país que não cobra impostos de grandes fortunas, mas taxa a produção e venda de
livros, ler é um ato de resistência. No
fim, o autor do Sitio do Pica Pau Amarelo estava certos. Não se faz um país sem
livros.
Em 15 de julho de 1978, uma senhora saiu da Rua Regente Feijó, 836, no bairro Escola Agrícola, em Blumenau. Caminhou sozinha. Ou quase. Seguiu em direção à Rua Pastor Stutzer, 319, no bairro Bom Retiro. No endereço de destino funcionava, na época, a antiga Maternidade Elisabeth Koehler. Hoje, é um lar de idosos que leva o mesmo nome. Sozinha ela não estava. Carregava no ventre o quarto filho. Aquela era sua sétima gravidez. O pai não a acompanhou. Não por ausência, mas porque precisava vender sua força de trabalho em troca da sobrevivência da família. Os sete quilômetros que separam um ponto do outro foram vencidos a pé. Segundo essas tecnologias modernas de medir distância, a caminhada dura uma hora e trinta minutos. Mas, como a mãe já estava no oitavo mês de gestação, é provável que tenha levado um pouco mais. Não havia muita certeza sobre o destino daquelas duas vidas. O diagnóstico médico era claro. Era uma corrida contra o tempo. O parto precisava ser antecipado para pro...

Maravilhoso!
ResponderExcluirSomos presenteados pela leitura da tua leitura de mundo.
Parabéns pra quem lê e pensa sobre o que lê!
Obrigado professor, sua leitura e apoio é incentivo e acalento nesses dias de peste
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